22 agosto, 2007

Como foi o Sesc 'n Blues 2007

Sesc n’ Blues 2007, apesar de reduzido em relação ao ano passado, foi um sucesso. E a grande novidade é que, se você não pôde ir aos shows, ainda assim poderá acompanhar os dois dias do festival, em compactos gravados pelo Canal RP9, aqui de Ribeirão Preto. Basta sintonizar seu televisor no canal 9, da Net, neste sábado, dia 25/08 às 12:00hs e às 22:30hs e no domingo 26/08 às 22:30hs.
Outra novidade é que eu fui convidado pelo Canal RP9 a fazer os comentários sobre as atrações do festival, e claro, aceitei imediatamente. Na transmissão, fui apresentado pelo meu nome, Alisson. Por isso não esperem pelo Little Thin Jones, meu vulgo. E apesar da falta de intimidade diante das câmeras, acredito que o resultado final foi positivo. Assistam ao programa e comentem.
Aproveito e deixo meus agradecimentos à toda equipe do Canal RP9 pela oportunidade, principalmente ao Fernando (Big Zoo Novaes), meu parceiro de blues, à Flávia e à Lígia que me deram todo apoio para que eu não tremesse e gaguejasse na frente das câmeras.

Fotos de Fernando Novaes.
Clique nas imagens para visualizar em tamanho real.


Sexta-feira

Flávio Guimarães, mestre de cerimônia do Sesc ‘n Blues desse ano, subiu ao palco tocando sua gaita e apresentou as atrações da noite: Márcio Maresia & Kiko Loureiro e no encerramento, Marva Wright.
Márcio Maresia abriu seu show no melhor estilo Chicago Blues, interpretando uma música de Little Walter. Dono de uma excelente técnica na gaita, Maresia conduziu mais três canções próprias, até chamar ao palco o guitarrista Kiko Loureiro.
Já na sua primeira participação, Kiko tocou a clássica “Sunshine of Your Love”, do Cream, seguida de uma versão devastadora de “Crossroads”, de Robert Johnson. No final dessa canção, Kiko e Maresia du
elaram, guitarra contra gaita, de maneira incrível, deixando explícita a técnica e a destreza desses grandes músicos brasileiros.
Em seguida, Kiko cantou a música “Don’t Let Me Down” dos Beatles. Não sei o que essa música tem de blues, mas foi uma bela interpretação do metaleiro.
Márcio Maresia então puxou a clássica canção de Muddy Waters, “Got My Mojo Working”, fazendo toda platéia presente se mexer. Depois vieram algumas músicas do novo trabalho de Maresia e mais alguns covers, como “Spoonful” de Charley Patton e "Purple Haze", de Jimi Hendrix, numa versão mais rock que blues. Até que Maresia chamou ao palco, como ele mesmo disse, seu ídolo na gaita, Flávio Guimarães, terminando sua apresentação numa “jam session” inesquecível, com direito a outro duelo, dessa vez com duas guitarras e duas gaitas.


Após alguns minutos de intervalo, os músicos de Marva Wright subiram ao palco. E duas coisas me chamaram a atenção: a banda dela não tinha um guitarrista e seu baixista, que entrou em cena vestindo uma roupa preta, estilo country e um chapelão. E foi o baixista que começou a primeira música da banda, ainda sem Marva no palco. Uma música muito interessante, instrumental, com um belo solo de baixo.
Logo em seguida anunciaram Marva Wright, e ela entrou em cena, amparada por um rapaz, até sua poltrona colocada bem no meio do palco.
A primeira música ela cantou de pé, agitando e interagindo com a platéia, que respondia prontamente a ela. Ela cantou também algumas músicas consagradas, como “Little Red Rooster”, de Howlin’ Wolf e “Rollin On The River”, do Creedence, todas com sua pitada de gospel, soul e R&B e sempre interagindo com os presentes.
Um problema em um dos microfones fez com que o show ficasse parado por alguns minutos, mas nada que tirasse o brilho da apresentação. Na volta, sem os chiados do microfone, Marva cativou a todos com uma versão de “I Will Survive”.
O restante do show foi feito somente com composições dela, músicas com a mesma mistura de ritmos que a consagrou. Uma excelente maneira de terminar essa primeira noite de shows do Sesc ‘n Blues 2007.


Sábado


Novamente Flávio Guimarães sobe ao palco como mestre de cerimônias e apresenta as atrações da noite: Sun Walk & Dog Brothers e Nuno Mindelis.
Sun Walk então sobe ao palco demonstrando todo o entrosamento que caracteriza o trio de irmãos, dessa vez acompanhados por mais uma guitarrista e um tecladista. Fred sempre muito técnico na guitarra, toca algumas composições próprias, de discos já lançados agradando bastante o público presente. Público esse que cantou junto com a banda a música “Pride and Joy”, cover de Steve Ray Vaughan. Em seguida eles apresentaram alguma músicas que estarão no próximo cd
da banda. O ponto alto do show ficou por conta da música “Blues Everyday”, que batiza esse blog. Não só por ser minha música favorita, mas pela interação com o público presente, que em uníssono, cantou junto com Fred o refrão. Ainda durante essa música, Fred chamou ao palco Flávio Guimarães. Juntos, tocaram por algum tempo, até Flávio desafiar Fred para um duelo. Flávio tocava um riff na gaita e Fred o repetia na guitarra. Flávio tocava outro riff na gaita e Fred o repetia com extrema exatidão na guitarra. Quando o público já estava de queixo caído com o duelo, Fred puxou novamente o refrão: “Blues Everyday!”, levando todo o Teatro de Arena a cantar novamente.


Logo após a excelente apresentação da banda de Ribeirão Preto, foi a vez do guitarrista Nuno Mindelis subir ao palco. Sua banda era formada por um baixista, um baterista, um trio de metais com sax, trompete e gaita e o grande Flávio Naves no órgão. Essa ótima banda tocava uma música instrumental quando Nuno subiu ao palco tocando sua guitarra. Achei muito interessante o fato dele não usar palheta para tocar. No repertório do show, basicamente músicas de seu mais recente disco “Outros Nunos”. O show foi bastante agradável, com músicas que misturavam um pouco de jazz e psicodelia ao seu blues. Nuno, que já foi eleito pela revista Guitar Player como o maior guitarrista de blues do mundo em 1998 e já gravou um disco ao lado de Chris Layton e Tommy Shannon, integrantes da Double Trouble, banda de Stevie Ray Vaughan, respondeu bem à minha expectativa em relação ao seu som. Por diversas vezes entre as músicas ele agradecia de maneira bem peculiar, apontando o dedo para os presentes e dizendo obrigado várias vezes, como se estivesse agradecendo um por um. Flávio Naves, que toca um órgão Hammond na banda de Nuno, por diversas vezes deu um show em seus solos, tocando de pé e literalmente debulhando seu órgão. O show prosseguiu no mesmo nível até o final, fechando em grande estilo a versão 2007 do melhor festival de blues do país: o Sesc ‘n Blues.


7 comentários:

Arthur Dib disse...

grande Thin...
ae, parabens pelo blog, tá excelente...
inclusive, no proprio senc 'n blues, eu indiquei o blog pra vairias pessoas q se mostraram interessadas pelo assunto...
com ctz é uma aula...
qnto ao festival, sem comentarios...
Du Caraleo!!!
fico mta boa a materia pro blog...
ae, nun esquece de me levar as fotos do evento...
grande abraco!

ps. me agurade, ano q vem to na gaita...

Flavia Zanchetta disse...

Alisson,

Foi um prazer trabalhar contigo e contar com usa experiência em blues para nos ajudar com programa do Canal RP9.
O blog está demais!!!! Parabéns!

Flavia Zanchetta

Marcos Pinheiro disse...

Sesc and Blues sucesso total... Foi muito bom ver o teatro de arena lotado e com a galera agitando. Homens, mulheres, jovens, adultos e idosos, famílias e malucos belezas. O que demonstra que o blues é democrático!!!
O show do nuno mindellis muito bom!!!
A apresntação do Sunwalk foi como de sempre... excelente.
Mas ainda lembro de um outro Sesc and Blues quando o Fred andou no meio da galera e solou com o auxílio de uma latinha de cerveja... inesquecível!!!

Sem Dúvidas o Sesc and Blues é um evento memorável aqui em Ribeirão!!!

Salvem salvem blueseiros!!!

rodrigo canales disse...

Cara,
esse é o verdadeiro Blues do Brasil: Hendrix, Creedence, Beatles, SRV.

Será que ninguém compra discos de Blues de verdade?

Ou será que as bandas do Brasil não gostam de Blues e só se aproveitam do gênero para aparecer?

E os organizadores? Quando vão aprender a fazer um verdadeiro Festival de Blues como foi o de Ribeirão Preto por exemplo?

O Blues Brasil não existe. É picaretagem. Da grossa.

Nada contra o Blog, pelo contrário, mas como a maioria dos Blogs do gênero, tá na hora de falar só de Blues de verdade.

O Sun Walk parece uima máquina de repetir licks dos outros.

O Mindelis além de ser guiitarrista de Rock é um chato e não pára em uma nota. Já viu Bluesman que não pára em nota nenhuma? Eu não.

E os gaitistas do Brzsil são um verdadeiro inferno. Egocêntricos e cheios de nota.

Bom, taí o que penso.

Abraço pra todos.

rodrigo canales

Little Thin Jones disse...

Olá Rodrigo.

Não vou contestar sua opinião. Até concordo em parte com o que disse. Mas acredito que o blues, assim como todos os estilos musicais, muda e evolui. Nem sempre pra melhor, é verdade.
Um claro exemplo é o rock. Tanto que no dia mundial do rock, eu fiz um post aqui no blog e só coloquei discos da década de 70 pra trás, pois pra mim essa época representa o rock. Com o blues acontece o mesmo. E se você é frequentador do blog deve saber que eu preferencialmente coloco artistas que fizeram sucesso entre as décadas de 20 e 50. O verdadeiro blues na minha opinião. Mas também aprecio o blues atual. Pouca coisa, mas aprecio.
E não acredito que eu esteja como a maioria dos blog do gênero, como você disse. Fiz esse blog justamente por notar a falta de um local que pudesse reunir e mostrar o verdadeiro blues, as origens e que não fosse na língua inglesa.

Abraço!

E continue visitando!

Marcus Mikhail disse...

Não é pq muitas bandas não estão em grandes festivais ou não são conhecidas do grande público que não fazem parte de uma camada do gênero muito importante no Brasil. Tem muita gente boa por aí tocando como o blues deve ser: direto e simples. Vistuosismo é para a molecada e tem gente que tem essa proposta. Mas, como meu amigo Thin escreveu, tudo vai se transformando, nem sempre para melhor, mas o que é bom ou ruim quem define é exclusivamente quem escuta.

abraços!

Marcus Mikhail disse...

Ah...o rótulo Blues Brasil é besteira mesmo. Rótulos só atrapalham, por isso que tem gente fazendo Blues com Rock e alguns não entendem as influências. Pq ficam presas ao rótulo. Grandes shows internacionais no Brasil aconteceram durante o Free Jazz Festival. Não era Jazz...e daí..foi bom pra caramba!