19 janeiro, 2007

Bo Didley

Quando eu acordei essa manhã (when I woke up this morning!), me dirigi ao banheiro e no caminho uma música começou a tocar em minha mente: "Diddley daddy". Então resolvi fazer a postagem de hoje a Bo Diddley, que com sua guitarra quadrada canta a música citada acima.
Diddley nasceu em 30 de dezembro de 1928, em uma fazenda entre McComb e Magnolia, no Mississippi, perto da fronteira do estado de Louisiana, com o nome de Ellas Otha Bates. A mãe, Ethel Wilson, o entregou para ser adotado e criado pela família McDaniels, de quem herda o sobrenome. Os McDaniels se mudaram para Chicago em 1934, onde Ellas pode estudar violino na Ebenezer Baptist Church, tornando-se músico da orquestra da igreja até 1946. Durante a fase de garoto, muito travesso e brigão, que ele ganhou o seu apelido de Bo Diddley. "Bo", corruptela de boy (menino) e "diddley", que em inglês significa enganar ou prejudicar, daria a idéia então de um garoto enganador ou travesso, apelido dado pelos colegas de escola. Bo fez amizade e passou a tocar com Earl Hooker, primo de John Lee Hooker. Earl então apresentou a música de seu parente famoso a Bo e este então abandonou definitivamente a música clássica pelo rhythm’n’blues. Bo acabou formando uma banda em 1943 com Joe Leon "Jody" Williams na guitarra e mais Roosevelt Jackson em um baixo feito de vassoura e uma bacia de latão. Chamavam-se de The Hipsters, mudando depois para The Langley Avenue Jive Cats e tocavam nas calçadas por trocados jogados pelos pedestres.
Depois de quase uma década se exibindo nas ruas, Bo Diddley em 1951, finalmente teve a oportunidade de poder tocar em um casa, o 708 Club. Apresentações com boa recepção atraíram um convite para gravar uma demo com duas de suas composições, "Uncle John" e "I'm A Man". Somente em 1955 Bo conseguiria fisgar o interesse de alguém ligado a uma gravadora, os irmãos Leonard e Phil Chess, donos da Chess Records. Duas músicas foram regravadas no dia 2 de março, sendo lançadas na primavera como o compacto "Bo Diddley"/"I'm A Man". "Bo Diddley" foi direto para o nº1. Na canção "Bo Diddley", Bo utilizou tremolo, fuzz e efeitos com feedback, que nunca foram pensados antes. Somente Jimi Hendrix, mais de uma década depois, iria voltar a experimentar com a proposta e evoluir a técnica. Em "I'm A Man" Diddley criou um riff de blues devastador, com uma gaita que incita inesgotável combustão.
Em suas apresentações ao vivo, forjara uma imagem de selvagem e ameaçador, enquanto pulava e dançava, vestido todo em couro preto, cinto com fivela gigantesca e um chapéu de cowboy imenso na cabeça. Um visual que seria repetido em um momento ou outro na carreira de gente como Jim Morrison, Elvis Presley, Lou Reed e os rappers Run DMC.
Bo Diddley é o primeiro em diversas frentes. Não só o primeiro a ter uma guitarrista mulher na banda mas o primeiro a utilizar um modelo alternativo para sua guitarra, com o intuito de ter uma marca pessoal - sua imediatamente famosa guitarra quadrada. Bo tirou o braço e todos os circuitos da sua guitarra Gretsch e colocou-as no corpo quadrado que ele mesmo construiu. Batizou-a de Big B.
Bo é também um dos precursores a tocar a guitarra entre as pernas, pelas costas ou com os dentes. O primeiro a utilizar amplificadores com distorção e desenvolver a técnica de utilizar tremolos e reverb para modular e alterar o som, ou, como ele diria, "fazer a guitarra falar".
Vários artistas gravariam suas versões das canções de Diddley através dos anos. Os Animals gravaram "The Story of Bo Diddley", os Yardbirds "I'm a Man" e tanto os Woolies quanto George Thorogood alcançaram sucesso com "Who Do You Love", também a favorita dos The Doors. Até Eric Clapton incluiu em seu Unplugged MTV a música "Before you accuse me".
O Rock 'n' Roll Hall Of Fame incluiu a canção "Bo Diddley" como sendo oficialmente uma das 500 canções que ajudaram a moldar o rock 'n' roll.
Apresentando-se ao vivo até hoje, Bo Diddley, em seus mais de 47 anos de carreira, tem um legado e uma reputação que lhe garantem respeito como um dos mais criativos e singulares talentos do Século XX.